ESG e as lacunas do marketing nos novos padrões de consumo.

ESG e as lacunas do marketing nos novos padrões de consumo.

by Igor Andrade Araújo -
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Graças à digitalização e à velocidade com que a informação circula, os consumidores tornaram-se mais exigentes e conscientes do impacto das empresas na sociedade. Nesse contexto, práticas de marketing isoladas já não são suficientes para construir reputação nem garantir fidelização. É por isso que muitas organizações têm incorporado as práticas ESG como parte estrutural de sua governança, entendendo que responsabilidade ambiental, social e ética organizacional são dimensões que fortalecem a credibilidade, reduzem riscos e favorecem resultados sustentáveis.

As agendas ESG deixam de ser iniciativas periféricas e passam a orientar processos decisórios, gestão de riscos, transparência, estrutura de compliance e mecanismos de prestação de contas. Assim, cresce o consenso de que empresas com governança fortalecida por critérios ESG tendem a apresentar maior previsibilidade, menor risco reputacional e maior potencial de investimento.

No setor de mídia e entretenimento, isso se reflete em práticas como transparência editorial, gestão ética da publicidade, uso responsável de tecnologias (como IA) e diversidade nas equipes criativas. Quando acompanhadas de métricas claras e reportes estruturados, essas ações ampliam a confiança do público e qualificam a governança.

Um exemplo recente no setor foi a polêmica de manifestação formal (denúncia) da Tais Araujo (atriz) contra a Manuela Dias (diretora) devido à representação de personagens negros nas tramas. Mesmo assim, a Globo não perdeu credibilidade, pois seus mecanismos de governança permitiram que o tema fosse acolhido e tratado de forma transparente, em linha com princípios éticos e compromissos ESG.


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Re: ESG e as lacunas do marketing nos novos padrões de consumo.

by Natyelle Rodrigues Campera -
Seu exemplo mostra como a governança fortalece as práticas ESG e evita que elas sejam apenas marketing. Consumidores mais informados exigem transparência, e quando ESG orienta decisões, riscos e comunicação, a empresa ganha credibilidade. O caso da Globo ilustra isso: mesmo diante da denúncia, a organização manteve confiança porque possui mecanismos de governança capazes de tratar o tema com ética e transparência. Isso prova que ESG só funciona quando está integrado à governança.


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Re: ESG e as lacunas do marketing nos novos padrões de consumo.

by Christiane Pinheiro da Silva Bittencourt -
A velocidade da informação exige que a credibilidade não seja mais construída pelo marketing isolado, mas sim pela coerência estrutural da Governança (G).
O exemplo da Mídia e Entretenimento demonstra isso a capacidade de uma empresa acolher e gerenciar conflitos internos (como o da representação na TV) de forma transparente prova que o ESG está enraizado na Governança. Essa transparência é o que, na era digital, garante a previsibilidade e atua como o principal redutor de risco reputacional.
Governança forte é a única forma de transformar promessas ESG em fatos verificáveis pelo consumidor e pelo investidor.
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Re: ESG e as lacunas do marketing nos novos padrões de consumo.

by Matheus de Azevedo Muraski -
Achei a análise muito pertinente, especialmente porque, como estamos vendo no MBA, os pilares da governança — transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade — passaram a ser diretamente influenciados pelas agendas ESG. E, pessoalmente, eu vejo isso acontecendo na prática: a digitalização encurtou o tempo entre um problema e a reação do público, e isso pressiona as empresas a terem uma governança muito mais madura e preparada para lidar com questões éticas e sociais.

Do ponto de vista de governança, me chamou atenção o exemplo do setor de mídia. A situação envolvendo Taís Araújo e Manuela Dias mostra o quanto temas ligados ao “S” do ESG inevitavelmente acabam sendo discutidos dentro das estruturas formais de governança. Mesmo sendo uma polêmica sensível, a Globo conseguiu conduzir o processo com transparência e responsabilidade, sem perder credibilidade. Isso, para mim, reforça o que a disciplina traz: quando a governança é forte, a empresa consegue acolher conflitos, dar respostas claras e agir de forma coerente com seus valores.

Vejo também que muitas empresas ainda tratam ESG como marketing, mas as que realmente integram esses critérios à governança acabam criando uma vantagem competitiva. Elas conseguem ser mais previsíveis, reduzem riscos e constroem relações mais sólidas com stakeholders — especialmente em setores expostos ao público. É como se a governança funcionasse como a “cola” que sustenta ESG, evitando que seja só discurso.

Na minha percepção como aluno e profissional, o grande desafio é transformar esses princípios em prática diária, e não apenas em relatórios bonitos. E acredito que essa discussão entre governança e ESG vai ficar cada vez mais relevante, principalmente em empresas que lidam com impacto social, diversidade e comunicação em grande escala.