Governança no combate ao “ESG-washing”!!

Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Caroline Inácio Bonatto -
Número de respostas: 8

Eu percebo que a relação entre governança e sustentabilidade tornou-se central no cenário contemporâneo. As práticas ESG deixaram de ser iniciativas isoladas para integrar o núcleo da gestão. A governança oferece a estrutura necessária para que objetivos ambientais e sociais sejam incorporados à estratégia, garantindo coerência, monitoramento e também a responsabilização.

Eu acredito que esse movimento é impulsionado também pela pressão de clientes e demais stakeholders, que passaram a exigir transparência, metas claras e mudanças concretas. Os consumidores têm cada vez menos tolerância a práticas ambientais e sociais irresponsáveis, podendo inclusive migrar para concorrentes ou boicotar marcas que não se alinham a esses valores.

Frente a esse contexto, a boa governança tem um papel essencial para evitar o chamado ESG-washing, que é o uso da pauta socioambiental apenas como discurso ou marketing. À medida que conselhos e diretorias assumem de fato a responsabilidade pela agenda ESG, sustentabilidade e governança passam a formar um único eixo, efetivo e coerente.


Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Igor Andrade Araújo -
Acho que embora o ESG washing seja prejudicial por criar uma desconexão entre discurso e prática, ele também pode ser compreendido como um estágio inicial da jornada de aprendizagem em governança sustentável já que a governança orientada ao ESG não se consolida de forma imediata.

Assim, se nos posicionarmos de maneira otimista, a perceptividade do "washing" que podemos associar com má-fé pode representar também a distância natural entre intenção e capacidade, representando apenas uma etapa transitória para as empresas que exercitarem bem a governança.

Dado as novas tendências de relacionamento dos stakeholders, será a partir das críticas e da pressão por transparência que a governança evoluirá mediante a aprendizagem institucional.
Em resposta à Igor Andrade Araújo

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Ezequiel Inácio Santos -
Oi Igor e Caroline, achei muito legal a visão que ambos trouxeram, o termo ESG-washing... O que o Igor comentou, será que então para evitar que a empresa num momento tão inicial, imaturo de agenda ESG, tenha cuidado redobrado em comunicar suas práticas à sociedade, aos clientes? Nem todos entenderiam que é um passo inicial, esse risco e mitigação remete diretamente as etapas de implementação de governança e bastante a etapa de número 3. Planejamento da implementação (agenda ESG).
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Natyelle Rodrigues Campera -
Concordo totalmente com a ideia de que a governança é fundamental para evitar o ESG-washing. É ela que garante que as práticas ESG deixem de ser apenas discurso e passem a ser acompanhadas por metas reais, transparência e monitoramento contínuo. Quando conselhos e diretorias assumem responsabilidade pela agenda socioambiental, exigem indicadores consistentes e prestam contas aos stakeholders, a sustentabilidade deixa de ser marketing e se torna parte da estratégia. A boa governança, portanto, é o que dá credibilidade às ações ESG e impede que a organização caia no uso superficial do tema.


Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Giuliana de Siqueira -
Muito interessante seu ponto, Caroline! Confesso que muitas vezes opto por consumir de empresas que assumem uma postura ambientalmente favorável, no entanto, já cai em contradições destas com base nas suas "falas diferentes das ações". Sua discussão é extremamente importante para compreendermos como uma boa Governança é necessária para não apenas falar, mas também fazer, principalmente se tratando de práticas ESG.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Almir João Kania Junior -
A sua visão de que o ESG saiu da "iniciativa isolada" para o "núcleo da gestão" é um ponto crucial. Concordo que o papel da governança é essencial para garantir a coerência e o monitoramento dos objetivos ESG. É o componente "G" que transforma o discurso socioambiental em estratégia integrada. Sem isso, o risco de ESG-washing é altíssimo.
A pressão dos stakeholders e consumidores, é o motor dessa transformação, forçando as organizações a buscarem legitimidade para além do lucro. No meu setor (varejo/beleza), a perda de confiança por uma falha ética ou ambiental é um risco reputacional que afeta diretamente o valor da marca.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Jerônimo Augusto Barreto Baptista -
Infelizmente, como eu comentei no tópico que eu abri, pode fazer parte da própria governança o ESG Washing.
É extremamente comum as empresas não se importarem em combater o teletrabalho e anunciarem que fazem ações para preservação do ambiente, como mostram estudos dos BRICS¹², pois no ocidente o engodo vem sendo aceito enquanto naqueles países o ESG nem chegou a ganhar tanta relevância.

¹Ali, Amjad, Jairaj Gupta, and Emad Elkhashen. "Greenwashing Games: Playing the ESG Mandates." Available at SSRN 5226553 (2025).[8]

² Zhan, Xiaoyi, Yong Zhan, and Guangjin Li. "The Cost of ESG Decoupling: How Misaligned Disclosures Undermine Corporate Sustainability?." SAGE Open 15.3 (2025): 21582440251369170.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Matheus de Azevedo Muraski -
Concordo muito com a perspectiva que você trouxe. No próprio MBA, quando estudamos a integração entre governança e sustentabilidade, fica evidente como esses temas deixaram de caminhar em paralelo. Hoje, a governança funciona como o alicerce que sustenta qualquer agenda ESG séria — porque sem estrutura, transparência e mecanismos de controle, ESG vira apenas narrativa.

Eu também percebo essa pressão crescente dos stakeholders. A velocidade com que a informação circula faz com que qualquer incoerência entre discurso e prática seja exposta rapidamente. Isso obriga as empresas a tratarem sustentabilidade com a mesma seriedade que tratam finanças, riscos e estratégia. E, na minha visão, esse é exatamente o ponto onde a governança entra: ela garante que metas ambientais e sociais não sejam pontuais, mas sim parte dos rituais de decisão, acompanhamento e prestação de contas.

Achei muito pertinente você mencionar o ESG-washing, porque ele realmente se tornou uma preocupação real. Sem governança sólida, é muito fácil cair na tentação de “maquiar” práticas ESG para atender expectativas externas. Mas quando conselhos e diretoria assumem protagonismo — inclusive revisando políticas internas, indicadores e rotinas — ESG deixa de ser marketing e passa a ser governança aplicada.

Como aluno e gestor, eu vejo esse movimento como inevitável. A tendência é que sustentabilidade e governança continuem se aproximando até se tornarem praticamente indissociáveis, porque só assim as empresas conseguem responder às demandas sociais atuais e, ao mesmo tempo, construir reputação sólida no longo prazo.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Governança no combate ao “ESG-washing”!!

por Jeferson de Paula -
Concordo totalmente com a sua análise. Também observo que ESG só ganha efetividade quando está amparado por uma estrutura de governança que garante transparência, métricas e acompanhamento contínuo. No meu setor (operações industriais e telecom), isso se traduz em práticas como avaliação criteriosa de fornecedores, controle de impactos ambientais, padronização de processos de segurança e auditorias internas que evitam justamente o risco de ESG-washing.

A pressão de clientes e stakeholders realmente elevou o nível de exigência, e isso tem feito as empresas tratarem metas socioambientais com a mesma seriedade que tratam metas financeiras. Quando o tema passa a ser pauta de diretoria e conselho, sustentabilidade deixa de ser discurso e se torna parte do processo decisório. Isso fortalece a credibilidade e reduz riscos para toda a organização.