Na organização em que atuo, a Suplos, eu percebo que os principais objetivos estratégicos vão muito além de vender uma tecnologia. Para mim, o objetivo central é ajudar a transformar a forma como a construção civil lida com materiais, estoque e suprimentos, substituindo processos manuais, planilhas soltas e controles pouco confiáveis por uma gestão mais integrada, rastreável e eficiente. Isso aparece no próprio posicionamento institucional da empresa, que se apresenta como uma plataforma de gestão de almoxarifado para obras e construtoras, com foco em controle de estoque, requisição de material e inventário ponta a ponta. (Suplos)
O que mais me chama atenção é que esse objetivo estratégico conversa diretamente com um problema histórico do setor. A construção civil é extremamente relevante para a economia, mas ainda convive com práticas muito tradicionais e, em muitos casos, arcaicas. Por isso, quando penso nos objetivos da Suplos, eu não enxergo apenas crescimento comercial ou ganho de mercado. Eu enxergo também uma intenção clara de levar digitalização e inovação para um ambiente que ainda resiste bastante à mudança.
Relacionando isso com a apostila, faz muito sentido pensar que os objetivos estratégicos são justamente aqueles que dão direção para toda a organização, definindo propósito, prioridades e metas de longo prazo. Depois, esses objetivos precisam ser desdobrados tática e operacionalmente para fazer sentido na prática. A própria apostila reforça que o planejamento estratégico posiciona a organização no seu contexto e estabelece a visão, a missão e os objetivos, enquanto o planejamento tático e o operacional traduzem isso em ações concretas.
Do ponto de vista do marketing, é aqui que a discussão fica mais interessante. Em um setor tradicional como a construção civil, o marketing não pode ficar restrito a divulgar funcionalidades ou fazer uma comunicação bonita. Ele precisa quebrar objeções. E, na minha visão, essa talvez seja uma das funções mais estratégicas do marketing dentro da Suplos.
Isso porque a objeção, nesse caso, nem sempre é sobre preço ou concorrência. Muitas vezes, a objeção está na cultura: “sempre fizemos assim”, “a planilha resolve”, “a obra não tem tempo para isso”, “o time não vai usar”. Então, o marketing precisa atuar quase como um agente de mudança, mostrando que digitalizar não é complicar a operação, mas simplificá-la. A apostila também ajuda nessa leitura quando coloca que o planejamento de marketing e vendas deve gerar ganhos a partir da compreensão dos consumidores, entendendo quem eles são, o que desejam e como se comportam.
Por isso, eu vejo que, no caso da Suplos, marketing é muito mais do que promoção: é educação de mercado, construção de confiança e tradução de valor. É mostrar para um setor conservador que inovação não é modismo, mas uma resposta concreta a desperdícios, retrabalho e falta de visibilidade.
Na prática, percebo que o grande desafio não é apenas convencer o cliente de que a solução funciona, mas de que vale a pena mudar a forma de trabalhar. E talvez aí esteja o ponto mais estratégico do marketing em mercados tradicionais: não vender só uma ferramenta, mas ajudar a construir uma nova mentalidade.
Quero até deixar uma provocação para a discussão: em setores mais tradicionais, vocês acham que o maior papel do marketing é gerar demanda ou reduzir resistência à mudança?