A apostila apresenta uma relação importante: quando o Mercado de Trabalho (MT) está aquecido e o Mercado de RH (MRH) conta com poucos profissionais qualificados disponíveis, as empresas precisam criar estratégias diferenciadas para atrair e reter talentos. Esse cenário descreve bem o que vivemos hoje no Brasil, especialmente em áreas técnicas como Finanças, Tesouraria e Controladoria.
O cenário macro brasileiro
O Brasil atravessa um momento de relativa estabilidade no mercado de trabalho formal, com taxa de desemprego em queda nos últimos anos segundo dados do IBGE. Esse aquecimento, no entanto, não é uniforme entre setores e perfis profissionais. Enquanto existe uma abundância de mão de obra para funções operacionais e menos especializadas, profissionais com formação técnica sólida em finanças, tecnologia e dados seguem sendo disputados de forma intensa pelas empresas o que pressiona salários e exige estratégias mais sofisticadas de atração e retenção.
A realidade em Finanças e Tesouraria
Na minha área de atuação, Tesouraria corporativa, o desequilíbrio entre MT e MRH é bastante evidente. A demanda por profissionais que dominem modelagem financeira, gestão de fluxo de caixa, conciliação de investimentos e ERP corporativo como Oracle, SAP ou similares é crescente, mas a oferta de profissionais com esse conjunto de competências técnicas e experiência prática é relativamente escassa.
Esse perfil exige uma combinação que não se forma rapidamente: conhecimento técnico em finanças, capacidade analítica, domínio de ferramentas de dados e experiência com estruturas corporativas complexas, como múltiplas entidades jurídicas e operações com diferentes instrumentos financeiros. Profissionais nesse estágio são disputados por bancos, fintechs, empresas de tecnologia e grandes corporações o que eleva o custo de contratação e aumenta o risco de turnover.
A perspectiva da Loft
Na Loft, onde atuo, esse cenário é sentido de forma direta. A empresa opera em um mercado competitivo por talentos de finanças e tecnologia, e precisa se posicionar de forma atraente não apenas em termos de remuneração, mas também em proposta de valor ao colaborador o EVP discutido na Unidade 2. Fatores como ambiente de trabalho dinâmico, cultura data-driven, possibilidade de atuar em estruturas financeiras sofisticadas e exposição a decisões estratégicas são diferenciais que a Loft utiliza para atrair profissionais qualificados que poderiam facilmente migrar para bancos ou fintechs de grande porte.
Além disso, o movimento de digitalização do mercado imobiliário trouxe uma demanda crescente por profissionais de finanças com fluência em dados um perfil ainda mais raro e disputado. A fronteira entre um analista de tesouraria e um analista de dados financeiros está cada vez mais tênue, e as empresas que conseguirem atrair profissionais com esse perfil híbrido sairão na frente.
Considerações finais
O equilíbrio entre MT e MRH no Brasil hoje é assimétrico: sobra candidato para algumas funções e falta para outras. Em finanças e tesouraria, o MRH segue pressionado há mais vagas qualificadas do que profissionais preparados para ocupá-las. Isso exige que as empresas invistam não apenas em atração, mas em desenvolvimento interno, formando seus próprios talentos antes que o mercado os dispute. Como a apostila bem coloca, em momentos de MRH aquecido, a capacidade de criar estratégias diferenciadas de captação e retenção deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade estratégica.