Minha reflexão é a de um cidadão brasileiro que acompanhou atônito os acontecimentos políticos do país entre 2019 e 2022, período em que o então presidente questionou reiteradamente a vacinação contra a Covid-19, levantou dúvidas sobre sua eficácia, promoveu tratamentos sem comprovação científica e transformou a recusa à vacina em um símbolo de identidade ideológica.
Para mim, isso representou algo muito mais grave do que uma simples divergência científica. Foi a instrumentalização da desinformação como ferramenta de poder, com consequências que afetaram profundamente a sociedade brasileira. Em meio a uma das maiores crises sanitárias da história recente, muitas pessoas tomaram decisões influenciadas por mensagens contraditórias vindas justamente de quem ocupava a mais alta posição de liderança do país.
O que esse episódio me ensinou é que o conhecimento científico, por mais robusto que seja, permanece vulnerável quando as instituições que deveriam promovê-lo passam a questioná-lo ou enfraquecê-lo. A ciência não se defende sozinha. Ela depende de instituições sólidas, de comunicação responsável e de uma sociedade comprometida com a busca pela verdade e pela evidência.