O movimento anticiência não é um fenômeno novo, mas ganhou escala e velocidade inéditas na era digital. Em linhas gerais, ele se caracteriza pela negação sistemática de conhecimentos cientificamente estabelecidos, como a eficácia de vacinas, as mudanças climáticas ou a teoria da evolução, substituindo-os por crenças, opiniões e informações descontextualizadas que circulam como se fossem verdades. Mais do que ignorância, trata-se muitas vezes de uma escolha ativa de rejeitar o método científico como forma legítima de produzir conhecimento.
O que nos ensina a Unidade 1 é que o conhecimento científico se distingue precisamente pelo seu método: é sistemático, verificável e falseável (Appolinário, 2012). Isso significa que ele não é dogma e pode ser revisado à luz de novas evidências, mas também não pode ser substituído por opiniões pessoais ou narrativas sem sustentação empírica. É justamente essa característica que o movimento anticiência distorce: apropria-se da linguagem da dúvida e da revisão científica para semear desconfiança indiscriminada.
O impacto disso sobre a vida humana é concreto e grave. A relação histórica que a professora aponta: senso comum → ciência → desenvolvimento de soluções e políticas, tudo funciona como uma cadeia. O senso comum observa, a ciência investiga e valida, e esse conhecimento validado fundamenta decisões que afetam todos, inclusive quem nunca leu um artigo científico. Quando esse elo é rompido por narrativas anticiência, as consequências aparecem em políticas públicas mal fundamentadas, em recusa de tratamentos eficazes, em decisões coletivas baseadas em desinformação. A própria apostila (item 1.4) alerta para isso ao descrever o contexto de pós-verdade e fake news como um ambiente em que dados reais são usados de forma parcial e descontextualizada para sustentar discursos falaciosos.
Como profissional de tecnologia, percebo esse fenômeno também dentro das organizações: quando decisões são tomadas com base em "feeling", experiências isoladas ou narrativas convenientes, em vez de dados e evidências, estamos operando numa lógica próxima à anticiência. O resultado costuma ser o mesmo, soluções que não resolvem o problema real.
O antídoto não é impor a ciência de cima para baixo, mas cultivar o que a própria ciência pratica: o diálogo fundamentado, a verificação das fontes e a disposição honesta de rever posições diante de evidências. Como estudantes de um MBA, somos parte dessa corrente de produção e uso responsável do conhecimento.