Na minha percepção, hoje a relação entre Mercado de Trabalho e Mercado de RH no Brasil está desafiadora, principalmente na indústria. Mesmo com o desemprego em patamar relativamente baixo no país, as empresas continuam com dificuldade para encontrar profissionais com o perfil técnico e comportamental que realmente precisam. O IBGE apontou taxa de desocupação de 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, enquanto a CNI tem destacado a crise de mão de obra qualificada na indústria e a necessidade de treinamento de grande parte dos trabalhadores até 2027.
Na prática, na indústria em que atuo, o problema não é exatamente falta total de pessoas no mercado, mas sim dificuldade de encontrar gente preparada para a realidade operacional: disciplina, constância, capacidade técnica, adaptação ao ritmo industrial e aderência à cultura da empresa. Ou seja, o mercado de RH existe, mas muitas vezes não entrega na mesma velocidade ou qualidade o que o mercado de trabalho está exigindo. Isso pesa muito em áreas produtivas, porque um erro de contratação afeta produtividade, qualidade, clima e até segurança.
Por isso, vejo que hoje o equilíbrio entre MT e MRH, na indústria, está mais para um cenário de desajuste de qualificação do que de simples falta de candidatos. As empresas precisam contratar, mas também precisam formar, desenvolver e reter melhor. Na minha visão, esse é um dos grandes desafios atuais da gestão de pessoas no setor industrial: não basta preencher vaga, é preciso acertar o perfil e sustentar a permanência desse profissional.