Apesar da alta demanda por profissionais qualificados, o setor de Tecnologia da Informação enfrenta aumento da informalidade, da pejotização e da competitividade, impulsionados pelas mudanças estratégicas das big techs, pela adoção crescente de Inteligência Artificial e pelas incertezas econômicas decorrentes de conflitos internacionais. Além disso, a variação do dólar impacta diretamente o acesso a cursos especializados e a manutenção de certificações técnicas, que frequentemente possuem custos elevados e renovação periódica.
A Inteligência Artificial, embora ainda apresente questionamentos sobre seu retorno efetivo de investimento (ROI) em diversos contextos, vem sendo utilizada como justificativa para redução de quadros juniores nas empresas. Paralelamente, a pejotização aumenta a vulnerabilidade do trabalhador em períodos de instabilidade econômica, já que contratos podem ser encerrados a qualquer momento e com menor proteção jurídica. Como consequência, muitos profissionais passam a atuar de forma menos engajada nas organizações, com menor senso de pertencimento e comprometimento institucional. Por sua vez, as empresas assumem dificuldades na renovação de seu quadro, visto a presença de poucos júniores.
Esse cenário é agravado pela centralização dos processos seletivos em plataformas como LinkedIn e Gupy. Muitas consultorias e empresas terceirizadas de recrutamento realizam filtros excessivamente automatizados e pouco técnicos, dificultando processos mais humanos e assertivos.
Segundo dados do Observatório Nacional do Mercado de Trabalho (MTE), aproximadamente 20% dos profissionais do setor de Informação e Comunicação atuavam de maneira informal em 2024, sem contribuição previdenciária.
Embora cursos técnicos e de curta duração tenham ampliado a oferta de mão de obra, o principal desafio do setor continua sendo construir relações de trabalho mais sustentáveis, menos precárias e alinhadas às transformações tecnológicas e sociais atuais.