"Saúde" em desequilíbrio!!

"Saúde" em desequilíbrio!!

por Caroline Inácio Bonatto -
Número de respostas: 3

Hoje, a relação entre mercado de trabalho e mercado de RH no Brasil apresenta um claro desequilíbrio. Embora existam muitos profissionais buscando oportunidades, as empresas nem sempre encontram pessoas com as competências técnicas e comportamentais necessárias para suas demandas.

Na área da saúde, esse cenário é ainda mais evidente. Há grande necessidade de profissionais, mas também existe alta exigência por atualização constante, responsabilidade, bom currículo, equilíbrio emocional, comunicação e capacidade de tomada de decisão. Além disso, muitos ambientes de trabalho são marcados por condições como sobrecarga, jornadas extensas e pressão intensa, o que dificulta a retenção desses profissionais. Acredito que o desequilíbrio nesse contexto não está apenas na quantidade de pessoas disponíveis (grande quantidade), mas na distância entre o que o mercado exige e as condições que oferece.

Por isso, o RH precisa atuar de forma estratégica, não apenas recrutando, mas também desenvolvendo, valorizando e retendo talentos. Na saúde, cuidar de quem cuida é essencial para garantir qualidade no atendimento e sustentabilidade das instituições.

Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: "Saúde" em desequilíbrio!!

por Igor Andrade Araújo -
Seu post me gerou um alerta sobre esse cenário quase “ansiolítico” retratado em séries como The Pitt, mas que na prática se estende muito além das áreas médicas e de cuidado.

No fim, quando consumimos um serviço, como um atendimento médico, o cliente só espera ser bem atendido. Porém, quando existem carências sistêmicas, geralmente associadas a altos custos estruturais e falta de investimento, as expectativas de qualidade acabam sendo totalmente transferidas para os profissionais que estão na linha de frente. Assim, médicos, enfermeiros e outros trabalhadores passam a carregar uma pressão que muitas vezes poderia ser reduzida com inovação em processos, melhor divisão de funções e aumento do quadro profissional.

Também vejo um ponto importante no fato de que, na saúde, o balizador de qualidade muitas vezes acaba sendo o próprio serviço público. Como muitas pessoas não estariam dispostas a pagar muito mais caro por algo que teoricamente poderiam obter gratuitamente, o mercado privado consegue operar com poucas mudanças estruturais e ainda manter o cliente relativamente satisfeito. O problema é que o ônus disso recai novamente sobre os trabalhadores. Um exemplo seria hospitais criarem funções não técnicas, como uma espécie de “concierge” para pacientes e familiares, reduzindo a sobrecarga emocional dos médicos e permitindo que eles foquem mais tecnicamente no atendimento.

Por isso, concordo muito quando você fala do papel estratégico do RH. A melhoria dos sistemas, processos e jornadas de trabalho também deveria ser uma preocupação central da área de RH, porque no final são esses fatores que impactam diretamente tanto a qualidade do serviço quanto a saúde emocional dos profissionais.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: "Saúde" em desequilíbrio!!

por Murielle Aparecida Calixto -
Carol, que bom que trouxe uma visão de um local bem distante das corporações, de fato, a área da saúde é essencial para a população, mas é muito comum que vejamos pessoas sobrecarregadas, com transtornos mentais relacionados ao trabalho e com necessidade de turnos excessivos para composição de renda. O mais louco ainda é saber que exigências na barreira de entrada das entrevistas são extremamente altas para um publico tão adoecido.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: "Saúde" em desequilíbrio!!

por Gabriel Paula -
Caroline, o seu comentário destaca bem o desequilíbrio entre as exigências do mercado e as condições reais oferecidas aos profissionais, especialmente na área da saúde, onde a pressão e a responsabilidade são elevadas. A reflexão central é que o problema não está apenas na falta de pessoas qualificadas, mas também na dificuldade de retenção causada por ambientes de trabalho pouco sustentáveis. Assim, o papel do RH precisa ir além da contratação, focando também em desenvolvimento e valorização contínua dos profissionais.