A globalização permitiu a geração de um movimento bastante acentuado de preenchimento de vagas disponíveis no mercado de trabalho nacional, com profissionais vindos tanto de países vizinhos ao Brasil, quanto de outros mais distantes. Muitos estrangeiros enxergam a possibilidade de melhoria de vida e novas oportunidades de crescimento, na atuação em empresas brasileiras.
Embora ainda represente um parcela relativamente pequena do total de empregos formais, ano após ano, o número de vagas ocupadas por estrangeiros, vem crescendo significativamente devido à dificuldade de certas vagas técnicas e operacionais serem preenchidas.
No setor industrial, tenho notado a maior participação de venezuelanos, haitianos e cubanos ocupando majoritariamente essas vagas. Além de vagas ditas como mais operacionais, algumas empresas passaram a buscar estrangeiros qualificados em áreas como TI, engenharia, automação industrial e P&D.
Certamente trata-se de um movimento comum a outros países como Canadá, EUA, Portugal e Espanha, e que ocorre de maneira pontual e setorial, contribuindo para o aumento da produtividade nacional. No entanto é importante mencionar os estrangeiros não ocupam ou tiram o lugar da mão-de-obra brasileira, mas de certa forma causam impacto positivo e mudanças na dinâmica de cultura empresarial, retenção de talentos e manutenção da operação.
Por outro lado é fato que em algumas regiões e setores, o aumento da disponibilidade de profissionais estrangeiros, pode reduzir a pressão por aumentos salariais, aumentar a competição por vagas operacionais e favorecer empresas que atuam em setores com estreita margem de lucro.
O RH nesse contexto, tem a difícil missão de equilibrar diferenças culturais, idioma e adaptação social para reduzir conflitos e gerar mais lideranças capazes de realizarem a gestão de times multiculturais.
Uma curiosidade é que na empresa em que atuo há a participação de 3 estrangeiros que além de contribuírem com os processos industriais, ajudam os outros colaboradores com o idioma espanhol (quase que como professores de idiomas) tornando o ambiente bem agradável e colaborativo.
Então acredito que o impacto dos estrangeiros tende a ser mais complementar que substitutivo e contribui para a relação entre MT e MRH.