Mercado de Trabalho x Mercado de RH no setor financeiro: onde estamos em 2026

Mercado de Trabalho x Mercado de RH no setor financeiro: onde estamos em 2026

por Christiane Pinheiro da Silva Bittencourt -
Número de respostas: 0

O equilíbrio entre o Mercado de Trabalho e o Mercado de RH no Brasil nunca foi simples, mas nos últimos anos o setor financeiro tornou esse desequilíbrio ainda mais evidente. A expansão das fintechs, a digitalização acelerada dos serviços bancários e o crescimento de distribuidoras e gestoras independentes criaram uma demanda por profissionais que o mercado simplesmente não consegue suprir na velocidade necessária.
Na prática, o que se vê é um Mercado de Trabalho aquecido para perfis específicos analistas com conhecimento em compliance, operações reguladas, controles internos e gestão de riscos enquanto o Mercado de RH ainda não formou profissionais em quantidade suficiente para atender essa demanda. As instituições reguladas pelo Banco Central e pela CVM, como é o caso da HEMERA, operam em um ambiente onde um erro de processo pode ter consequências regulatórias sérias. Isso eleva o nível de exigência técnica e reduz o universo de candidatos verdadeiramente qualificados.
Outro fator que complica o equilíbrio é a sobreposição de competências que o setor passou a exigir. Não basta dominar as rotinas financeiras o profissional precisa entender de tecnologia, transitar bem entre compliance e operações, e cada vez mais ter visão de gestão de pessoas. Esse perfil híbrido, que a apostila chamaria de "talento humano" em sentido pleno, é escasso e disputado. Grandes bancos, fintechs e boutiques de investimento competem pelo mesmo pool, e as distribuidoras de menor porte precisam encontrar formas criativas de atrair e reter, já que raramente conseguem competir só pelo salário.
Vivo isso na prática. Na HEMERA, a construção de trilhas de carreira e a estruturação de políticas internas de RH que venho conduzindo são, em parte, uma resposta a esse cenário uma tentativa de tornar a empresa competitiva como marca empregadora mesmo sem ter o tamanho de um banco tradicional. Quando o Mercado de Trabalho está aquecido e o Mercado de RH oferece menos do que a demanda exige, a retenção de quem já está dentro vale tanto quanto a atração de novos talentos.
O que me parece mais urgente nesse contexto é que as empresas do setor financeiro especialmente as menores parem de tratar RH como área de suporte e comecem a enxergá-lo como parte da estratégia de crescimento. Num mercado onde contratar bem é difícil e perder um profissional qualificado é caro, as decisões sobre pessoas precisam ser tão rigorosas quanto as decisões sobre investimentos.