Na minha percepção, o mercado de trabalho no Brasil vive hoje um cenário bem desafiador. Ao mesmo tempo em que ainda existem muitas pessoas buscando recolocação, várias empresas têm dificuldade em encontrar profissionais com o perfil que o mercado atual exige, principalmente em áreas ligadas à tecnologia, inovação e operações mais estratégicas. Talvez um causador disso seja a desumanização no processo de seleção, onde ficou tudo tão digital, que não se sente mais a energia da pessoa em uma conversa real, atrelada ao pacote de benefícios que parece pouco perto de tudo que é exigido como pré requisito.
Na área em que atuo hoje, na Fintech do Grupo Boticário e dentro da logística de maquininhas, percebo muito isso na prática. As empresas não buscam mais apenas alguém que execute processos, mas profissionais com visão analítica, capacidade de resolver problemas rapidamente, boa comunicação e facilidade para trabalhar com diferentes áreas ao mesmo tempo, então o desenvolvimento precisa ser constante.
Na minha rotina, por exemplo, lidamos constantemente com indicadores, operação, experiência do cliente e tecnologia, então acaba sendo um trabalho bem dinâmico e que exige adaptação o tempo inteiro. Inclusive costumo ouvir que a área de operações só existe porque existem problemas para serem resolvidos.
Também percebo que os profissionais estão mais exigentes em relação às empresas. Hoje cultura organizacional, propósito, flexibilidade e possibilidade de crescimento têm um peso muito grande na decisão das pessoas, e isso mudou bastante a relação entre Mercado de Trabalho e Mercado de RH. Acho que grandes empresas, como o Grupo Boticário, acabam conseguindo se destacar nesse cenário justamente porque conseguem unir resultados, inovação e cuidado com as pessoas. Mesmo assim, atrair e principalmente reter talentos continua sendo um grande desafio para as organizações.