Dentro do cenário brasileiro atual, o equilíbrio entre o Mercado de Trabalho (MT) e o Mercado de RH (MRH) no Brasil revela uma dinâmica de profunda seletividade, especialmente em setores de alta performance. O Mercado de Trabalho é definido pela oferta de oportunidades pelas empresas, enquanto o Mercado de RH é composto pelos profissionais disponíveis para ocupá-las. Na área de Marketing Digital, essa relação encontra-se em um estado de "apagão de talentos", onde o MT está extremamente aquecido, mas o MRH não consegue suprir a demanda com a qualificação exigida. Para entender por que essa disputa é tão acirrada, podemos aplicar o conceito da Visão Baseada em Recursos (VBR), que pontua que a vantagem competitiva sustentável não vem de posicionamentos de mercado que podem ser facilmente copiados, mas sim de configurações exclusivas de recursos valiosos e de difícil imitação. No marketing, onde as ferramentas e plataformas são acessíveis a todos, o diferencial estratégico reside exclusivamente no recurso humano, que é o único ativo vivo e dinâmico capaz de gerir os outros recursos e sustentar a imagem da empresa.
Devido a essa escassez de profissionais altamente capacitados, as organizações têm transformado seus critérios de seleção, focando menos na formação técnica tradicional e mais nas competências comportamentais, que representam a base da "árvore de competências". Uma metáfora que diz que, enquanto o conhecimento técnico é o "tronco", as atitudes, como proatividade e adaptabilidade, são as "raízes" que sustentam o crescimento e permitem que o profissional aprenda novas ferramentas rapidamente. Como o Mercado de Trabalho para especialistas em marketing está em constante mutação, as empresas preferem selecionar candidatos com alta capacidade de entrega e alinhamento de valores, entendendo que o conhecimento técnico pode ser aprimorado via treinamento, mas a atitude é um recurso intrínseco e raro.
Essa realidade de desequilíbrio força as empresas a repensarem também suas estratégias de recrutamento interno. Em um cenário de MT aquecido e MRH escasso, buscar talentos fora da organização torna-se um processo demorado e de alto custo operacional. Por isso, tem sido estratégico valorizar o potencial humano já existente na casa, incentivando a fidelidade e aproveitando o conhecimento sistêmico que o colaborador já possui. Assim, a gestão de pessoas no marketing digital deixa de ser uma simples contratação de mão de obra para se tornar uma gestão de capital intelectual, onde o foco é polir esse bom funcionário da organização para que ele continue gerando inovação e resultados superiores em um ambiente de incertezas.