Atualmente, o mercado de tecnologia no Brasil vive um desequilíbrio interessante entre Mercado de Trabalho e Mercado de RH. Existem muitas empresas demandando profissionais de tecnologia, principalmente em áreas ligadas à inteligência artificial, dados, engenharia de software, automação, produto e segurança. Ao mesmo tempo, nem sempre o mercado possui profissionais com as competências técnicas e comportamentais necessárias para atender essa demanda.
Com o avanço da Inteligência Artificial, esse desequilíbrio ficou ainda mais evidente. As empresas não procuram apenas pessoas que saibam programar, mas profissionais capazes de usar IA para aumentar produtividade, automatizar processos, interpretar dados, resolver problemas de negócio e inovar. Segundo levantamento citado pela Forbes, 98% das médias e grandes empresas brasileiras relatam dificuldade para encontrar profissionais qualificados em tecnologia, sendo especialistas em IA e engenheiros de software algumas das posições mais difíceis de preencher.
Na minha área de atuação, tecnologia aplicada à construção civil, percebo que a exigência é ainda mais específica. Não basta dominar ferramentas digitais; é necessário entender o contexto do cliente, os processos de obra, integrações com sistemas, produto, atendimento e operação. Isso cria um perfil híbrido, que combina conhecimento técnico, visão de negócio e capacidade de comunicação.
No caso das startups, esse cenário é ainda mais desafiador. Startups precisam crescer rápido, entregar valor com times enxutos e competir por talentos com empresas maiores, que muitas vezes oferecem salários, benefícios e estruturas mais robustas. Além disso, a IA aumenta a régua de produtividade: espera-se que profissionais usem ferramentas inteligentes para entregar mais, com mais velocidade e qualidade.
Por outro lado, a IA também cria oportunidades. Ela permite que times menores sejam mais eficientes, automatizem tarefas repetitivas e acelerem desenvolvimento, análise de dados, suporte e criação de soluções. Assim, o profissional mais valorizado tende a ser aquele que não vê a IA como ameaça, mas como ferramenta de ampliação da própria capacidade de trabalho.
Portanto, entendo que o Mercado de Trabalho em tecnologia está aquecido para profissionais qualificados, principalmente aqueles com domínio de IA, dados e visão de negócio. Porém, o Mercado de RH ainda apresenta lacunas de formação, experiência prática e senioridade. O grande desafio das empresas será atrair, desenvolver e reter talentos capazes de acompanhar essa transformação, enquanto o desafio dos profissionais será manter aprendizado contínuo para não ficarem defasados diante da velocidade das mudanças tecnológicas.