Questiono, logo existo!

Questiono, logo existo!

por Caroline Inácio Bonatto -
Número de respostas: 5

No lugar da dúvida crítica, muitas vezes aparece a "certeza" sem fundamento. No lugar da pesquisa e da comprovação, surgem opiniões compartilhadas como se fossem verdades absolutas, inquestionáveis. No lugar do diálogo entre ciência e a sociedade, cresce a desinformação. É nesse contexto, atual, nas redes sociais, que o movimento anticiência se torna preocupante onde uma informação falsa pode circular rapidamente e influenciar decisões individuais e coletivas.

Acredito que o senso comum tem seu valor, pois faz parte da vivência das pessoas e nasce das experiências do cotidiano, muitas vezes perpetuada pela tradição e valores. Porém, ele não pode substituir o conhecimento científico quando estamos falando de temas que envolvem a coletividade e o bem-estar social, como vacinação, saúde pública, meio ambiente e políticas sociais. Nesses casos, decisões baseadas apenas em achismos ou fake news podem trazer consequências graves para toda a sociedade.

O vídeo “Não Compartilhe Fake news” reforça justamente essa responsabilidade que temos antes de repassar uma informação. Muitas vezes, compartilhar uma notícia falsa parece ser algo simples, mas pode gerar medo, desinformação e prejudicar ações importantes de saúde e prevenção.

Por isso, penso que ciência e senso comum podem e devem dialogar, mas esse diálogo precisa ser feito com responsabilidade, pensamento crítico e verificação das fontes.

A ciência não deve ser vista como dona de uma verdade absoluta, pois ela também se atualiza e se aprimora com o tempo, tendo o questionamento como um fator indispensável para a formação de uma base sólida para os saberes. Revela-se uma perspectiva cartesiana de buscar um conhecimento mais seguro por meio da razão e da dúvida. Em Descartes, a dúvida metódica não representa uma negação do conhecimento, mas uma forma de analisá-lo criticamente até encontrar fundamentos mais confiáveis, como expresso na ideia “penso, logo existo”.

Por isso, a metodologia científica continua sendo uma das formas mais confiáveis de compreender a realidade e desenvolver soluções que melhoram a vida humana, e o senso comum pode ser um ponto de partida. 

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Re: Questiono, logo existo!

por Igor Andrade Araújo -
Não posso deixar de relacionar sua reflexão às contribuições de Paulo Freire, especialmente quando você afirma que a ciência não deve ser vista como detentora de uma verdade absoluta. Ao destacar a importância do senso comum sem colocá-lo acima da ciência, seu texto dialoga diretamente com a visão freireana de que o conhecimento popular deve ser valorizado como ponto de partida, mas não como ponto de chegada.

Para Freire, o conhecimento científico não se constrói em oposição ao saber popular, mas a partir dele, por meio da reflexão crítica e do aprofundamento da compreensão da realidade. Por isso, educar não significa romper com os conhecimentos prévios das pessoas, mas promover sua ampliação e superação.

Essa visão também ajuda a compreender que o questionamento não é inimigo da ciência. Pelo contrário, Freire entendia a curiosidade e a reflexão crítica como elementos fundamentais da construção do conhecimento. Nesse sentido, a dúvida não representa uma negação da ciência, mas uma oportunidade de buscar explicações mais consistentes e fundamentadas.

Essa perspectiva se materializa no método pelo qual as experiências cotidianas dos indivíduos tornam-se objeto de reflexão crítica. Ao conectar a vivência concreta com compreensões mais amplas da realidade, promove-se a conscientização e a capacidade de agir de forma transformadora sobre o mundo. Assim, a educação torna-se uma prática de liberdade, fundamentada no diálogo, na crítica e na construção coletiva do conhecimento.
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Re: Questiono, logo existo!

por Rodrigo Soares Ferreira -
Concordo com você Caroline! Acredito que ainda há muitas pesquisas que podem ser comprovadas com o estudo de observações do senso comum. A ciência não precisa ser encarada como dona da verdade, mas sim, como uma ferramenta de descoberta e melhoria de processos que transformam a vida das pessoas. E se um ponto de partida for a cultura popular, não deveria haver problema.

Mas infelizmente chegamos a um ponto, em que muitas pessoas enxergam os cientistas como peças de um jogo político que tentam manipular a sociedade. E na internet surgem os "salvadores" que os desmascaram e mostram a verdadeira informação.

Muito legal você associar a mensagem a Descartes. Acredito que a base de todas as descobertas científicas, residem na dúvida e na curiosidade. O pensar nos movimenta no sentido do conhecimento. Quando a sociedade perde essa característica, ela perde também sua essência e para de evoluir.

As redes sociais podem ser utilizadas como excelentes ferramentas de desenvolvimento científico, mas como você citou, são também focos de desinformação e anticiência, criando cada vez mais "inverdades coletivas".
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Re: Questiono, logo existo!

por LUCAS DE MORAIS PEREIRA -
Sua análise está muito bem estruturada e traz um ponto essencial sobre o impacto da desinformação no contexto atual. Concordo especialmente quando você destaca que o senso comum tem valor, mas não pode substituir o conhecimento científico em temas que envolvem o coletivo.

Um ponto que complementa sua reflexão é justamente o papel das redes sociais como aceleradoras desse problema. Hoje, a velocidade da informação é maior do que a capacidade de verificação, o que faz com que opiniões sem fundamento ganhem força e pareçam verdades. Isso reforça ainda mais a importância do pensamento crítico que você mencionou.

Também achei muito pertinente a relação que você fez com Descartes. A dúvida, quando bem aplicada, fortalece o conhecimento, mas no contexto da anticiência ela acaba sendo usada de forma equivocada, levando à negação de evidências já consolidadas.

No geral, seu argumento mostra bem como o equilíbrio entre senso comum e ciência precisa ser mantido com responsabilidade, principalmente diante dos desafios atuais.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Questiono, logo existo!

por Christiane Pinheiro da Silva Bittencourt -
Caroline, excelente reflexão. O seu ponto sobre a substituição da dúvida crítica pela "certeza sem fundamento" resume perfeitamente o cerne do problema do movimento anticiência.

Destaco especialmente a sua análise sobre o papel do questionamento na ciência. Como bem mencionou através de Descartes, a dúvida metódica não é uma negação, mas sim uma ferramenta de validação. Trazer essa perspetiva para o ambiente de Estratégia e Inovação é fundamental: decisões robustas, sejam públicas ou corporativas, não podem ser sustentadas por convicções subjetivas ou desinformação, sob o risco de comprometer resultados coletivos.

O diálogo entre o senso comum (como ponto de partida) e o método científico (como validador) é, sem dúvida, o caminho mais seguro para mitigar riscos e desenhar soluções de alto impacto.
Em resposta à Caroline Inácio Bonatto

Re: Questiono, logo existo!

por Jeferson de Paula -
Gostei muito da forma como você conectou anticiência, fake news e responsabilidade no compartilhamento de informações. Achei especialmente forte o ponto em que você diferencia dúvida crítica de “certeza” sem fundamento, porque isso resume bem um problema atual. Também concordo quando você diz que o senso comum tem valor, mas não pode substituir o conhecimento científico em temas que impactam a coletividade. No fim, seu texto mostra bem que questionar é importante, mas questionar com método, verificação e responsabilidade é o que realmente fortalece o conhecimento.