No lugar da dúvida crítica, muitas vezes aparece a "certeza" sem fundamento. No lugar da pesquisa e da comprovação, surgem opiniões compartilhadas como se fossem verdades absolutas, inquestionáveis. No lugar do diálogo entre ciência e a sociedade, cresce a desinformação. É nesse contexto, atual, nas redes sociais, que o movimento anticiência se torna preocupante onde uma informação falsa pode circular rapidamente e influenciar decisões individuais e coletivas.
Acredito que o senso comum tem seu valor, pois faz parte da vivência das pessoas e nasce das experiências do cotidiano, muitas vezes perpetuada pela tradição e valores. Porém, ele não pode substituir o conhecimento científico quando estamos falando de temas que envolvem a coletividade e o bem-estar social, como vacinação, saúde pública, meio ambiente e políticas sociais. Nesses casos, decisões baseadas apenas em achismos ou fake news podem trazer consequências graves para toda a sociedade.
O vídeo “Não Compartilhe Fake news” reforça justamente essa responsabilidade que temos antes de repassar uma informação. Muitas vezes, compartilhar uma notícia falsa parece ser algo simples, mas pode gerar medo, desinformação e prejudicar ações importantes de saúde e prevenção.
Por isso, penso que ciência e senso comum podem e devem dialogar, mas esse diálogo precisa ser feito com responsabilidade, pensamento crítico e verificação das fontes.
A ciência não deve ser vista como dona de uma verdade absoluta, pois ela também se atualiza e se aprimora com o tempo, tendo o questionamento como um fator indispensável para a formação de uma base sólida para os saberes. Revela-se uma perspectiva cartesiana de buscar um conhecimento mais seguro por meio da razão e da dúvida. Em Descartes, a dúvida metódica não representa uma negação do conhecimento, mas uma forma de analisá-lo criticamente até encontrar fundamentos mais confiáveis, como expresso na ideia “penso, logo existo”.
Por isso, a metodologia científica continua sendo uma das formas mais confiáveis de compreender a realidade e desenvolver soluções que melhoram a vida humana, e o senso comum pode ser um ponto de partida.