O emprego de estatística e análise de dados para apoio à tomada de decisões é mais do que comum no estado tecnológico em que nos encontramos hoje. Tão pouco transitamos apenas da abordagem reativa para a preventiva, já estamos em vias de migrar para um padrão preditivo, alavancado pelo emprego da Inteligência Artificial. Torna-se comum, assim, o uso de dados a fim de fornecer uma base mais objetiva e impessoal, ajudando a mitigar erros provenientes de enviesamentos e, consequentemente, tornando-se um ativo cada vez mais estratégico.
Retratando o emprego do People Analytics na empresa de prestação de serviços em tecnologia da qual sou colaborador, o principal ativo da operação não é a infraestrutura, o software ou o maquinário, mas sim as pessoas e os conhecimentos adquiridos por elas. A capacidade de entrega está diretamente relacionada à qualificação técnica das equipes, retenção de talentos, produtividade sustentável, colaboração, capacidade adaptativa e liderança.
Dessa forma, o People Analytics torna-se uma disciplina fundamental para a gestão estratégica de pessoas. Por meio da análise de dados, é possível correlacionar indicadores de gestão de pessoas com impactos diretos no negócio. Um turnover elevado, por exemplo, pode afetar margens financeiras; sobrecarga de trabalho pode comprometer SLAs; e a perda de conhecimento organizacional pode gerar desalinhamentos operacionais. Todos esses fatores impactam diretamente a satisfação do cliente, a renovação contratual e até mesmo a reputação da empresa.
Onde atuo, o People Analytics é utilizado principalmente para apoiar decisões relacionadas à gestão de capacidades e competências. Um exemplo prático é a análise da escassez de determinadas skills no mercado em comparação com a disponibilidade interna da companhia. Isso permite direcionar investimentos em capacitação, além de apoiar os times de recrutamento na busca por perfis mais aderentes às demandas estratégicas.
Além disso, também é possível realizar análises comparativas entre clientes e operações para identificar cenários de maior desgaste operacional, observando padrões como excesso de horas trabalhadas, baixa progressão profissional, turnover e clima organizacional. A partir dessas análises, a empresa consegue propor ações mais coerentes tanto para melhoria da experiência dos colaboradores quanto para aumento da eficiência e lucratividade operacional.