Coaching e Mentoring na prática: o que vejo na Loft e no mercado

Coaching e Mentoring na prática: o que vejo na Loft e no mercado

por GABRIEL GUSMÃO MENDES DA SILVA -
Número de respostas: 2

Na Loft, onde trabalho na área de Tesouraria, o uso de Coaching e Mentoring ainda está em desenvolvimento  não é algo formalizado para todos os níveis, mas existe de forma bastante presente para perfis específicos, especialmente lideranças e profissionais em aceleração de carreira.

O que percebo no dia a dia é que o Mentoring acontece de forma mais orgânica do que estruturada. Por ser uma empresa com cultura horizontal e bastante acessível, é relativamente comum que profissionais mais juniores tenham espaço para conversar com gestores seniores sobre carreira, decisões profissionais e desenvolvimento. Essa troca informal acaba cumprindo o papel do Mentoring mesmo sem um programa formalizado por trás o que tem valor, mas também tem limite, porque depende muito da iniciativa do próprio profissional em buscar esse contato.

Já o Coaching é mais direcionado a lideranças, especialmente para gestores que estão assumindo novas responsabilidades ou passando por transições de cargo. Nesse contexto faz muito sentido: são pessoas que já têm competência técnica consolidada, mas que precisam desenvolver habilidades comportamentais como gestão de equipes, tomada de decisão sob pressão e comunicação executiva que o treinamento tradicional não costuma entregar.

Um caso que acho interessante trazer é o do Google, citado na própria apostila. A empresa descobriu via People Analytics que gestores com boas habilidades de coaching retinham equipes mais felizes e produtivas. A partir disso, mapeou os comportamentos que diferenciavam os bons líderes e passou a desenvolver esses comportamentos em todos os gestores via feedbacks estruturados e programas de desenvolvimento. Ou seja, o Coaching deixou de ser um benefício pontual e virou parte da estratégia de gestão de pessoas da empresa.

Na minha visão, o grande erro que as empresas cometem é reservar essas ferramentas apenas para o topo da hierarquia. Profissionais em início de carreira, que ainda estão formando sua identidade profissional e entendendo para onde querem ir, são os que mais se beneficiariam de um bom processo de Mentoring  justamente porque ainda têm tempo de ajustar a rota. Quando o Mentoring chega tarde, muitas vezes o profissional já tomou decisões que poderiam ter sido melhores com um pouco mais de orientação.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em resposta à GABRIEL GUSMÃO MENDES DA SILVA

Re: Coaching e Mentoring na prática: o que vejo na Loft e no mercado

por Vanessa Andretta Schinko -
Gostei muito da sua reflexão, principalmente quando você comenta que um dos erros das empresas é direcionar Coaching e Mentoring apenas para profissionais que já estão em posições mais altas da hierarquia. Concordo bastante com esse ponto.

Na minha percepção, profissionais mais juniores talvez sejam justamente os que mais poderiam se beneficiar desse acompanhamento, porque ainda estão construindo sua trajetória profissional, entendendo seus objetivos e desenvolvendo competências. Quando a empresa investe nessas pessoas desde o início, cria algo muito difícil de desenvolver apenas com salário ou benefícios: vínculo, pertencimento e comprometimento.

Percebo muito isso na empresa em que trabalho ao observar casos de crescimento interno. Colaboradores que iniciaram como aprendizes, estagiários ou em funções operacionais e foram crescendo ao longo do tempo costumam desenvolver uma conexão muito forte com a empresa. Existe um sentimento de reconhecimento e valorização por perceberem que alguém acreditou no potencial deles desde o começo.

Acredito que esse tipo de desenvolvimento ajuda inclusive na retenção. Porque profissionais que conseguem enxergar oportunidades reais de crescimento tendem a construir carreira dentro da organização, e não apenas buscar a próxima oportunidade que ofereça uma remuneração maior. Claro que salário continua sendo importante, mas o sentimento de evolução, aprendizado e reconhecimento também pesa bastante na decisão de permanecer.

Achei muito interessante sua observação porque, muitas vezes, as empresas concentram seus investimentos em quem já chegou ao topo, quando poderiam fortalecer talentos desde a base e construir lideranças futuras de forma muito mais sólida. Porque desenvolver pessoas depois que elas já estão prontas parece eficiente, mas ajudar alguém a crescer ao longo do caminho costuma gerar resultados muito mais duradouros.
Em resposta à GABRIEL GUSMÃO MENDES DA SILVA

Re: Coaching e Mentoring na prática: o que vejo na Loft e no mercado

por Giuliana de Siqueira -
Boa contribuição, Gabriel!

Achei muito interessante a forma como você trouxe a realidade da Loft, principalmente ao comentar que o Mentoring acontece de maneira mais orgânica dentro da cultura da empresa. Acho que isso mostra como, muitas vezes, mesmo sem um programa formalizado, a troca entre profissionais mais experientes e os mais novos já gera um impacto importante no desenvolvimento das pessoas.

Concordo bastante quando você fala que o Coaching costuma ser mais direcionado às lideranças e transições de cargo. Realmente, habilidades comportamentais como comunicação, gestão de pessoas e tomada de decisão acabam sendo fundamentais nesses momentos e muitas vezes não são desenvolvidas apenas com conhecimento técnico.

Também achei muito relevante o ponto que você trouxe sobre as empresas concentrarem essas ferramentas apenas nos níveis mais altos da hierarquia. Trabalho no setor público, na Secretaria das Cidades, e percebo algo parecido: normalmente os processos de desenvolvimento acabam sendo mais voltados às lideranças, enquanto profissionais em início de carreira aprendem muito mais pela prática e convivência diária. Por isso, acredito que o Mentoring poderia ser extremamente útil para apoiar novos profissionais, principalmente na adaptação à cultura organizacional e no direcionamento da carreira desde o início.